 Photo Comments | Home:Rio De Janeiro, Rio De Janeiro, Brazil | Age: 8 Years Sex: Female
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Leave a treat for Yves Dore

Nicknames: Bonequinha, Bebê, Ronron

Quick Bio:
 Dwells:
indoors

Arrival Story: E o que era um... Virou dois... Coisas que só acontecem na família Porto.
Terça-feira, 1º de junho de 2004, por volta de 20h. Estou esperando a Catharina vir trazer minha areia ( para quem não conhece, a Catharina é um amor de pessoa, amiga que tem uma pet e me fornece minhas coisinhas, ops, coisinhas dos gatos ), para continuar a faxina que comecei quando cheguei em casa. Os gatos trancados nos quartos, para deixar a casa livre.
Toca o telefone... Penso que é a Catharina, mas não... É minha irmã, dizendo que o Flávio ( namorado ) estava na rua ao lado tentando pegar um gatinho-coitadinho-pobrezinho-vai- morrer mas não estava conseguindo, que ela já ia descer para ajudar e que eu fosse também. Diz que o gato é pequeno e não sabe a cor, mas que alguém tinha visto uma gata adulta igual ao Jean-Louis. Pânico imediato, "ai-meu-Deus-e-se-os-gatos-furaram -a-tela-e-caíram-lá-embaixo", digo a ela que se vire, que tou esperando a Catharina e que não vou mais resgatar gato nenhum, e corro pro quarto para abrir as portas e conferir. Ufa, todos aqui...
Toca o interfone logo em seguida, dessa vez é a Catharina. Pobre Catharina, que tem que ouvir minhas lamentações, kkkkkkkkkk...
Volto para cima, arrastando os três fardos de areia, já estava com dor nas costas, fico pior ainda. Bem... Assim que chego, recomeço a limpeza, e vou guardando a areia... E..
De novo toca o telefone. Dessa vez uma irmã histérica, aos berros, dizendo que não conseguia pegar o coitadinho-pobrezinho-do-gatinho, que ia acabar espantando ele para a rua e que ele IA MORRERRRR POR MINHA CAUSA ( assim, estrondosamente, aos berros ), como eu podia deixar isso acontecer, etc, etc... E aí, o golpe baixíssimo: disse "ouve só o coitadinho" e ela mesma miou, ao que o gato respondeu desesperadíssimo, com miados horríveis, doloridos, chorosos, e eu... Mandei ela se f., desliguei o telefone e comecei a chorar convulsivamente.
Que droga, cheia de problemas no trabalho, coisas pra resolver, contas pra pagar, casa para arrumar, aquela dor que não passava, e a criatura ainda me faz uma dessas ? Fiquei com muita raiva, achava que se ela quisesse, ela que pegasse. Mas óbvio que sendo quem eu sou, não parava de ouvir na minha cabeça aqueles miados, não parava de pensar naquilo...
Enfim, acabei a faxina, liguei o micro e vim para a internet...
E quando passavam alguns minutos da meia-noite, surpresa... Toca a campainha, e quando vou atender, já escuto miados histéricos. Abro a porta e vejo a doida irmã segurando uma coisinha amarela e branca maravilhosa e peluda, com carinha triste de desamparo. Fiquei contente, puxa, que lindo, ao menos é doável, em todo caso. Mas ela logo me diz em seqüência "desculpa, eu exagerei", "pegamos o gatinho", "aliás, oS gatinhoS, porque são dois, sorry !". Vejo que o namorado vem com uma caixa de transporte... Olho dentro... E uma coisa preta furiosa dá uns botes e faz fuzzz... Eu digo pra ela "que beleza, um feral preto, puxa, tão exótico e além do mais super doável !"
A coisa foi a seguinte... Ela estava tentando agarrar o gato preto ( 2 meses ), e quando conseguiu, viu debaixo de um carro ao longe a pequenina. Como já ia me trazer um, trouxe logo os dois... Com a mão completamente detonada, porque o bicho mordeu ela pra valer.
Bom... Entramos para o banheiro, vimos caixa de areia e etc.
O preto não saía da caixa, passei para a coisinha amarela.
Ela tinha cerca de 45 dias, toda peluda, linda, atíssimas tendências a se tornar um flufe. Completamente lotada de pulgas, que pulavam para fora. Nem tive dúvidas, dei um banho de Frontline, ficou molhada, coitada. Mas nem por isso se abalou, logo subiu no meu colo, ronronando alto, olhou pra mim e disse "miu ?" Eu olhei para minha irmã e falei "mas o que é isso ?", e ela "eu juro que não treinei !"
Depois de muito esforço, consegui agarrar o pretinho ( que se tornou meu oitavo sobrinho, Mannakel - pois ficou com minha irmã ) e passar Frontline, logo ele voltou para a caixa e ficou lá enfurnado.
Fiquei pensando em quanto a vida é engraçada e nos apronta surpresas.
Ela estava tentando resgatar um gato, que já estava, segundo uma vizinha, jogado na rua há 3 dias ( e tinha um irmão, que morreu atropelado quando atravessaram a rua, logo depois de abandonados - e a vizinha presenciou o abandono ). Gato bravo, assustado, acuado. Mas lindo, pelo brilhoso, lustroso, gato saudável, criado dentro de alguma casa.
E quando se abaixou para pegar... Avista a pequena Yves, mais adiante... Que com 100% de certeza era uma gatinha de rua, barrigão enorme de vermes, pelo emaranhado e sujo, orelhas que nunca foram limpas, cheias de sujeira grossa, pulgas até a alma... De onde ela veio, jamais vou saber, o vigia da rua disse que uma gata tinha dado à luz três filhotes há algum tempo atrás. Ela pode ter sido a única que sobreviveu. O que fazia longe da mãe ( avistada no fim da rua ), também não sei.
Mas penso que Deus ( ou a Deusa Gata ) escolhe caminhos estranhos para nos presentear, e mais ainda, escolhe os momentos certos para colocar quem precisa no nosso caminho.

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